Carnaval de SP: a folia dos blocos nas ruas da capital

Carnaval de SP: a folia dos blocos nas ruas da capital
Multidão acompanha o bloco Domingo Ela Não Vai, em 2018 | Crédito: Divulgação

Em 2018, a cidade de São Paulo atingiu a marca de nove milhões de pessoas durante o período oficial de Carnaval, somando o público de blocos de rua e desfiles de escolas de samba. Os desfiles no Sambódromo do Anhembi acontecem desde 1991 e a festa já era conhecida como uma dos mais tradicionais do Brasil. Nos últimos anos, porém, a folia das ruas vem crescendo vertiginosamente.

As comemorações nas vias públicas já eram muito populares em outras cidades brasileiras, em especial no Rio de Janeiro, Olinda e Salvador. São Paulo juntou-se ao time de melhores lugares para celebrar o feriado e vem atraindo cada vez mais pessoas, em especial pela gratuidade e a quantidade de blocos. Confira a seguir todos os detalhes sobre a festa paulistana e a programação para 2019.

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O irrefreável crescimento do Carnaval de SP

A Prefeitura de São Paulo realiza o cadastro dos blocos desde 2014, quando 200 deles ganharam as ruas. De 2015 a 2017 o número quase dobrou, e chegou a 391. O ano de 2018 surpreendeu pela quantidade de foliões e pelo então recorde de desfiles, com 459 opções. Mas nada que se compare ao que se espera para 2019, com 570 blocos.

Bloco Sereianos
Isadora Zendron, co-diretora do bloco Sereianos | Crédito: Alberto Tomaz

“Esse crescimento vem muito do movimento de querer fazer festa de rua”, explica Isadora Zendron, co-diretora do bloco Sereianos. Para ela, a ocupação das ruas da cidade para eventos culturais já se notava desde a Virada Cultural, evento promovido pela Prefeitura de São Paulo, e de festas alternativas como a Voodoohop.

O Sereianos, inspirado na Mermaid Parade, que acontece nos EUA, também foi testemunha do crescimento do público. Em 2016, seus organizadores esperavam mil pessoas, mas 6 mil participaram do cortejo. Em 2017, o número saltou para 25 mil, enquanto 2018 contabilizou um público de 150 mil.

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Bloco Domingo Ela Não Vai
Rodrigo Bueno e Alberto Pereira Jr., do Domingo Ela Não Vai | Crédito: Divulgação

Outro gigante de São Paulo é o Domingo Ela Não Vai, que no ano passado agitou o domingo de Carnaval de 350 mil pessoas na Av. 23 de Maio. Fundado por Alberto Pereira Jr. e Rodrigo Bueno, o bloco saiu pela primeira vez em 2016. Naquele ano, a dupla esperava apenas 2 mil pessoas, conforme preencheram na inscrição da prefeitura, mas recebeu 45 mil. Em três anos, o bloco já estava consagrado como um dos mais populares da cidade.

“O sucesso do Carnaval de rua de São Paulo é porque ele é realmente democrático. Os blocos são completamente gratuitos, a programação é muito variada e ainda assim respeita uma tradição”, explica Alberto. “Os blocos estouraram nos últimos cinco anos no Centro, mas se você for andar pela cidade toda, tem vários blocos pequenos, tradicionais”, completa.

Alguns ganharam os corações dos foliões. Além do Domingo Ela Não Vai e do Sereianos, Baixo Augusta, Tarado Ni Você, Lua Vai, Agrada Gregos, Largadinho, Monobloco e Casa Comigo são blocos que esperam por um público de mais de 100 mil pessoas em 2019.

Carnaval para todos os gostos: do samba ao punk

Carnaval gratuito para todos os gostos
Foliões acompanham o trio do Sereianos | Crédito: Alberto Tomaz

Quem conhece sabe: a efervescência de São Paulo é inegável. A diversidade de opções culturais revela a capital como um destino para quem deseja agito, e isso se reflete no Carnaval, quando o cinza se torna colorido e o glitter dá brilho às fantasias e às ruas. Os diferenciais da festa paulistana são a gratuidade (em São Paulo não são vendidos abadás) e a diversidade: os ritmos e estilos da farra são tantos que até mesmo quem não gosta de Carnaval vai encontrar um bloquinho para chamar de seu.

Tem opções para crianças, para famílias, para o público LGBTQ+, para quem quer começar a namorar e para quem quer aproveitar a solteirice. A variedade de ritmos é ainda maior. O samba, grande estrela do feriado, dá lugar ao sertanejo no bloco Pinga Ni Mim, ao pop no Meu Santo é Pop, e ao forró no Forrozin. Tem também pagode dos anos 90 no Lua Vai e eletrônica no Unidos do BPM.

 Bloco 77 - Os Originais do Punk
O Bloco 77 mistura clássicos do punk e percussão | Crédito: Alexandre Urch

A folia pode, inclusive, combinar ritmos carnavalescos e improváveis, ao fazer releituras de músicas ao som de percussão. Essa é a proposta do Bloco 77 – Os Originais do Punk: os clássicos do gênero ganham o ritmo de marchinhas, e marchinhas clássicas são transformadas em paródias do punk nacional.

O bloco foi criado pelos amigos Emerson Barreto, Anderson Boscari e Felipe Gasnier, e sai para a rua desde 2014. Em média, 4 mil pessoas participam do cortejo, que com o passar do tempo precisou acompanhar o crescimento do público: “Hoje contamos com um carro de som com muito mais potência do que tínhamos nos primeiros anos, e também com mais músicos e uma equipe de apoio e produção maior”, contou Boscari.

Outro destaque no Carnaval de rua de São Paulo é a presença de celebridades comandando os trios. Em 2019, Alinne Rosa, Sidney Magal, Claudia Leitte, Tiago Abravanel, o grupo Falamansa, Carlinhos Brown, Daniela Mercury, Alceu Valença e Preta Gil já confirmaram presença.

A preparação dos blocos

Alberto no Domingo Ela Não Va
Alberto no trio do Domingo Ela Não Vai, em 2018 | Crédito: Divulgação

Com tamanha expressividade que o Carnaval de SP ganhou no cenário nacional, é preciso preparar a cidade para receber o evento. Cada um dos blocos realiza a inscrição em outubro, descrevendo o percurso, a data e os horários desejados. Técnicos das subprefeituras avaliam as propostas e as aprovam de acordo com a logística pensada junto à Central de Engenharia de Tráfego.

O número estimado de foliões determina a quantidade de bombeiros, seguranças, membros da produção e planos de resgate, isolamento e orientação do público. O aluguel de trios e contratação de atrações, por exemplo, fica sob responsabilidade dos organizadores do bloquinho, mas são cobradas taxas referentes à limpeza e adaptação do trânsito de veículos, para que nada dê errado no festejo.

“A gente se organiza já em julho para fazer festa, montar a apresentação, conseguir possíveis patrocinadores e entender como que a gente vai querer o bloco para o outro ano”, conta Isadora, do Sereianos. Para Alberto não é diferente: a preparação do Domingo Ela Não Vai dura quase o ano todo, seja planejando a estrutura ou arrecadando dinheiro por meio de festas antes do Carnaval. “Para proporcionar essa festa maravilhosa tem o lado de produção, que é bastante trabalhoso e que o folião do outro lado não vê”, explica.

Carnaval de SP: encontre seu bloco

Bloco Sereianos
Foliões se divertem nas ruas do bairro de Santa Cecília | Crédito: Divulgação

A cidade inteira têm bloquinhos para que ninguém fique de fora da farra: 29 das 32 subprefeituras de São Paulo recebem os desfiles em 2019. Cada uma das rotas é estrategicamente pensada também para fácil acesso via transporte público. Assim, não é difícil pular, quase que literalmente, de bloco em bloco em um mesmo dia.

A locomoção de carro durante o feriado não é lá muito simples, já que várias das principais vias paulistanas ficam interditadas por conta da passagem dos blocos. A dica para quem vem curtir o Carnaval de São Paulo é usar o metrô: a Linha 4 Amarela liga Pinheiros ao Centro, duas das principais regiões onde acontece a folia de rua.

Em Pinheiros, a Av. Faria Lima, o Largo da Batata e a Rua dos Pinheiros concentram os blocos universitários, com ritmos como o sertanejo. Já a região central, que inclui a Rua da Consolação, a Praça da República, o cruzamento da Av. Ipiranga com a Av. São João e o bairro de Santa Cecília, é a favorita dos blocos LGBTQ+. Assim, para quem procura hospedagem na capital e quer ficar pertinho da farra, vale explorar as opções destes locais.

O sacolejo tem lugar também na Av. Marquês de São Vicente e na Av. Tiradentes, por onde desfilam alguns dos maiores blocos da programação. A primeira é acessível pela Linha 3 Vermelha (que também passa pela Praça da República), enquanto a segunda está próxima à Estação da Luz, onde se encontram quatro linhas do metrô.

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Destaques da programação do Carnaval de SP

programação do Carnaval de SP
A proposta do Bloco 77 é um Carnaval alternativo | Crédito: Alexandre Urch

O feriado mais festivo do ano se divide em três momentos em São Paulo: Pré-Carnaval, nos dias 23 e 24 de fevereiro, Carnaval, entre 2 e 5 de março, e Pós-Carnaval, em 9 e 10 de março. Confira os destaques da programação a seguir.

23 de fevereiro

  • Sargento Pimenta – 11h – Av. Brigadeiro Faria Lima
  • Casa Comigo – 12h – Av. Brigadeiro Faria Lima
  • Sereianos – 15h – Av. Ipiranga

24 de fevereiro

  • Monobloco – 13h – Obelisco do Ibirapuera
  • Gambiarra com Tiago Abravanel – 15h – Largo da Batata
  • Acadêmicos do Baixo Augusta – 16h – Rua da Consolação

2 de março

  • BregsNice com Sidney Magal – 12h – Praça da República
  • Bloco 77 – 15h – Rua Simão Álvares
  • Minhoqueens – 15h – Praça da República

3 de março

  • Ajayô Kids com Carlinhos Brown – 10h – em frente ao Pq. do Ibirapuera
  • Domingo Ela Não Vai – 11h – Av. Marquês de São Vicente
  • Vou de Táxi – 14h – Av. Brigadeiro Faria Lima

4 de março

  • Forrozin – 11h – Av. São João com a Ipiranga
  • Lua Vai – 15h – Praça da República
  • Pinga Ni Mim – 13h – Av. Brigadeiro Faria Lima

5 de março

  • Agrada Gregos – 13h – Av. Tiradentes
  • Pagu – 14h – Av. Tiradentes
  • Agora Vai – 15h – Rua João de Barros

9 de março

  • Meu Santo é Pop – 13h – Largo do Arouche
  • Largadinho com Claudia Leitte – 15h – Av. Tiradentes
  • Rindo à Toa com Falamansa – 15h – Av. Brigadeiro Faria Lima

10 de março

  • Pipoca da Rainha com Daniela Mercury – 15h – Rua da Consolação
  • Bicho Maluco Beleza com Alceu Valença – 12h – Obelisco do Ibirapuera
  • Bloco da Preta com Preta Gil – 13h – Obelisco do Ibirapuera


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