Em um país como o Brasil, dono da segunda maior população negra do mundo, destinos para se aprofundar nos encantos culturais deixados pelo legado africano é o que não faltam. 

Em cada pedacinho do país é possível encontrar traços dessa valiosa identidade, mas há lugares que concentram mais heranças da diáspora africana do que outros, mantendo vivas e praticamente intocadas as raízes de um povo que tanto inspira.

Da culinária à arte. Da religião à moda. A influência negra em diversos segmentos culturais é inegável e essa presença tão bela e marcante merece ser celebrada, enaltecida e preservada ao máximo em todas as épocas do ano. 

Mas é especialmente em novembro, graças à data dedicada à resistência preta – e também ao líder quilombola Zumbi dos Palmares -, que essas riquezas ganham ainda mais evidência. 

Por isso, dedicado ao Dia da Consciência Negra, nossas indicações para conhecer de pertinho destinos que guardam muito dessa riquíssima identidade cultural não podiam deixar de ser pauta. 

Selecionamos destinos da cultura afro-brasileira no país que garantem um verdadeiro mergulho nas mais incríveis tradições culturais da comunidade afro-brasileira! Inspire-se!

Salvador, BA

É claro que a abertura da nossa lista de destinos da cultura afro-brasileira seria Salvador, capital da nossa amada Bahia, um dos estados mais bonitos do Nordeste. A cidade respira ancestralidade, e atrações para conhecer de pertinho essa identidade no mínimo encantadora é o que não faltam por lá.

Pelourinho

Grupo musical de percussão no Pelourinho, em Salvador, Bahia.
No Pelourinho, as performances musicais de diversos grupos e blocos afro roubam a cena.

A importância histórica que o Pelourinho carrega consigo, além de ser um dos cartões-postais mais famosos do destino, é imensurável. 

No centro histórico de Salvador, o bairro foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade e ainda constitui o maior conjunto arquitetônico colonial da América Latina.

É no Pelourinho também que expressões artísticas de destaque se revelam, com o protagonismo claro, das criações afro-brasileiras. A começar pelas galerias e ateliês, que são inúmeros e apresentam talentos das artes plásticas inspirados pela cultura negra.

Por lá, a atmosfera também é bastante musical, com performances diversas de capoeira e de grupos de percussão, a exemplo da Banda Didá Feminina e do famoso Olodum, ambos com sede no próprio Pelourinho e que costumam, ainda, sempre se apresentar no local e contagiar com o ritmo dos tambores.

Museus

Mas Salvador não se resume só às ladeiras do Pelô. Os museus também são uma forma e tanto de estreitar o laço com as origens africanas. Vale visitar o Museu Nacional de Cultura Afro Brasileira, o Memorial das Baianas, o Museu da Gastronomia Baiana, o Centro Cultural Solar do Ferrão, a Cidade da Música da Bahia e uma série de outros espaços dedicados às raízes negras.

Leia também sobre as praias de Salvador, alguns dos cartões-postais mais bonitos da Bahia!

Outras atrações

Esculturas dos orixás no Dique Tororó em Salvador, Bahia.
As esculturas dos orixás no Dique Tororó estampam alguns dos cartões-postais mais bonitos de Salvador

Outras paradas obrigatórias na cidade são o Dique Tororó, único manancial natural da cidade de Salvador que ainda rouba a cena com esculturas lindíssimas dos orixás instaladas sobre as águas – dá pra fazer um passeio de pedalinho para contemplar ainda mais de pertinho as imagens -, e o Mercado Modelo, com 260 lojas e diversas opções de artesanato e comidas locais.

Vale ainda conhecer o Forte da Capoeira, uma fortaleza construída antigamente para defesa da cidade e que hoje é palco de encontro dos praticantes do esporte, e a sede do bloco Ilê Ayiê, o primeiro bloco afro do brasil que se consolidou como uma das principais expressões culturais do carnaval baiano.

Festas tradicionais

Imagem de Iemanjá durante a celebração da festa desse orixá em Salvador, na Bahia.
Em fevereiro, Salvador para tudo para celebrar o dia de Iemanjá, uma das festas mais esperadas na cidade

Algumas celebrações na cidade também garantem uma imersão completa nas tradições afro-brasileiras. É o caso da Festa de Iemanjá no dia 2 de fevereiro, das missas de terça-feira na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, que incorpora no culto elementos do candomblé, e da lavagem das escadarias na festa do Senhor do Bonfim, que a princípio era feita pelos escravos obrigados a lavar o templo para a comemoração do dia do santo.

Serra da Barriga e Maceió, AL

Um dos principais símbolos de resistência negra é Zumbi dos Palmares e não à toa 20 de novembro, o dia da sua morte, foi escolhido como data oficial da Consciência Negra. E esse ícone da luta contra a escravidão era natural de Alagoas, o que por si só já seria suficiente para garantir o estado na nossa seleção de destinos da cultura afro-brasileira. Mas ainda tem muito mais por lá!

Parque Memorial Quilombo dos Palmares

É na Serra da Barriga, em Alagoas, que está o Quilombo dos Palmares, refúgio de mais de 20 mil negros escravizados liderado por Zumbi entre 1678 e 1694.

Hoje, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o local foi reconhecido como parque nacional e recria, desde 2007, o cenário de uma das histórias mais importantes de resistência à escravidão. 

Por lá, foram reconstituídas algumas das construções significativas do quilombo, com pontos de áudio e textos explicativos responsáveis por narrar aspectos do cotidiano dos habitantes à época.

No parque, tem-se ainda vistas panorâmicas de Serra da Barriga para serem contempladas dos mirantes, comunidades quilombolas que mantêm intactas muitas das tradições e costumes religiosos, um restaurante dedicado a pratos da culinária afro-brasileira e o palco Batucajé, onde são realizadas manifestações artístico-culturais.

Instituto Histórico e Religioso de Alagoas

A cerca de 80 km dali fica Maceió e na capital alagoana também há muito para se ver. As histórias da “Quebra de Xangô”, por exemplo, quando terreiros de cultos de matriz africana foram perseguidos e destruídos na capital em 1912, podem ser conhecidas no Instituto Histórico e Religioso de Alagoas, onde os itens sobreviventes ficam em exibição.

Experiência urbana afrocentrada

Também é bacana conhecer Maceió pela perspectiva do passeio Andança Negra Maceió, criado pela agência Alagoas Cultural. O roteiro potencializa a história e cultura negra alagoana, oferecendo uma experiência urbana afrocentrada que proporciona a visibilidade de espaços e histórias negras no estado através do turismo cultural.

São Luís, MA

A belíssima São Luís do Maranhão também tem muito da identidade negra para se apreciar, inclusive na música, e por isso não podia ficar de fora da nossa lista de destinos da cultura afro-brasileira. O destino permite também imersão nas raízes culturais da comunidade afro a partir dos seus museus e acervos riquíssimos compostos por artigos de religiões de matriz africana e danças afro.

Tambor de Crioula

O Tambor de Crioula é uma dança de origem africana, típica do estado do Maranhão, e que começou a ser praticada em louvor a São Benedito, o santo protetor dos negros. 

Tradição do Maranhão, a dança se tornou Patrimônio Cultural do Brasil e não tem época, nem lugar para ser realizada: ela acontece nas praças, nos terreiros, nos palcos e em diversas celebrações durante o ano, embalando desde o Carnaval maranhense até os festejos de São João.

Essa expressão cultural se mantém preservada na Casa do Tambor de Crioula, um Centro de Referência da manifestação aberto para visitação do público e com exposições permanentes, apresentações e até oficinas culturais.

Museu Cafuá das Mercês

No centro histórico de São Luís, está o Museu Cafuá das Mercês, outra dica imperdível que não pode faltar no roteiro. Reaberto em 2020, esse museu é dono de um acervo incrível de objetos de religiões de matriz africana, peças do sincretismo e uma mostra com a biografia de personalidades negras essenciais na luta contra o racismo e na preservação da identidade negra do Maranhão.

Centro Cultural Popular Domingos Vieira Filho

Embora não seja exclusivamente dedicado à cultura negra, o Centro Cultural Popular Domingos Vieira Filho, também no centro histórico, traz muito dessas heranças em suas exibições. Lá é possível visitar salas onde as danças e as religiões de origem africana são retratadas por meio de obras artísticas e trajes utilizados nos cultos.

São Paulo, SP

Embora não seja o primeiro lugar que vem à cabeça quando pensamos em afroturismo, nossa urbana São Paulo também guarda tesouros culturais que não poderiam passar batido – e são tantos que não dá nem pra contar nos dedos!

Museu Afro Brasil

Uma das joias culturais de SP é, sem dúvidas, o Museu Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera. 

Entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias e documentos, o espaço é dono de um acervo com mais de seis mil itens que abrangem diversos aspectos do universo cultural africano e afro-brasileiro, incluindo religião e arte.

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Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos

Já no centro da capital, no Largo do Paiçandu, também é bacana conhecer a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, construída pela Irmandade dos Homens Pretos para que a comunidade negra pudesse frequentar um espaço religioso.

Lá, vale ainda assistir à missa afro realizada a cada dois meses, onde são feitas oferendas e entoados cânticos ao som de atabaques.

Monumentos de Zumbi dos Palmares e Luiz Gama

Em São Paulo, a estátua de Zumbi dos Palmares também merece destaque. Na praça Antônio Prado, no centro da capital, o monumento foi instalado em 2016 e está em uma área histórica, que é endereço da antiga Igreja do Rosário dos Homens Pretos e também local de sepultamento de escravizados no passado. 

Outra escultura na capital é a estátua de Luiz Gama, instalada no Largo do Arouche. Criada em 1931, esse foi o primeiro monumento público da cidade paulista erguido em homenagem a um líder negro.

Atrações na República

O bairro da República também representa muito dessa cultura em São Paulo. É lá que estão a Galeria do Reggae e a Galeria do Rock, que tem o primeiro andar totalmente dedicado à moda black e ao estilo hip-hop, com lojas de roupa, acessórios e discos, além de salões de cabeleireiro especializados em crespos e tranças afro. Na República também podem ser comprados tecidos africanos, roupas ou artigos confeccionados diretamente no continente d aÁfrica.

Outras atrações

Em um roteiro por Sampa, não podem faltar também o Aparelha Luzia, um quilombo urbano e centro cultural que reúne boa música, performances artísticas e vários integrantes do movimento negro. O sarau da Cooperifa, na zona sul da cidade, também merece ser encaixado na lista de passeios, responsável por revelar talentos do rap e da poesia de rua.

Ainda na zona sul, o Centro de Culturas Negras do Jabaquara também se destaca na cena. Festas blacks como a Discopédia, escolas de Samba como o Vai-Vai, rodas de samba espalhadas por toda a cidade, incluindo o Samba da Laje, e lugares para curtir o samba-rock, gênero que teve início nas periferias paulistas nos anos 1950, também são imperdíveis pela capital de SP e garantem um estreitar de laços com essa cultura tão incrível.


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Bruna Rio Branco

Amante das artes, adora viajar para lugares que inspirem criações artísticas e que tenham a cultura vibrante. Destinos de natureza também estão na sua listinha de favoritos.

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