Uma estrada, muitas possibilidades. Cruzando Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, a Estrada Real é a maior rota turística brasileira, mantida desde 1999 pelo Instituto Estrada Real. Sua história, no entanto, remonta de muito tempo atrás, muito antes de se pensar em turismo em solos nacionais.

Em meados do século XVII, a região onde hoje está o estado de Minas Gerais atraiu colonizadores portugueses em busca de ouro e pedras preciosas, que eram levados até os portos do Rio de Janeiro para então seguir à Europa. Os caminhos por onde passavam os tropeiros foram oficializadas pela Coroa Portuguesa, tornando-se assim a Estrada Real.

Viajar pela estrada é viajar pela memória do país, e também pelas paisagens mais fascinantes e os sabores mais característicos do Sudeste brasileiro. Com mais de 1.630 km bem sinalizados, a rota pode ser feita de carro, de moto, de bicicleta e até mesmo a pé. Ao longo do percurso há destinos para todos os gostos e para todos os perfis de viajantes.

O Instituto Estrada Real desenvolveu até mesmo um passaporte para o trajeto. Cidades que fazem parte da estrada carimbam suas páginas e o resultado é uma lembrança personalizada da viagem. Clique aqui para mais informações de como retirar seu passaporte e como conseguir os carimbos.

Mas afinal, o que é preciso para começar a montar o seu roteiro pela Estrada Real? A seguir o Mag lhe ajuda a decidir entre as quatro opções de trajetos que dividem a extensão da rota.

Sudeste

Caminho Velho: o primeiro da Estrada Real

A primeira rota da Estrada Real determinada pela realeza é também a mais tradicional. O Caminho Velho tem início na cidade mineira de Ouro Preto e termina em Paraty, no Rio de Janeiro. Com 710 km, 80% do percurso é de terra. Ao percorrer este caminho, o viajante passa por cidades como Glaura, Congonhas, Bichinho, Tiradentes, São João del Rei, Carrancas e Caxambu, em Minas Gerais, e Guaratinguetá e Cunha, em São Paulo, além das unidades de conservação natural de Itatiaia e da Serra da Bocaina.

Ouro Preto, local de partida do roteiro, é o primeiro destino a conhecer! A cidade é repleta de charme, com ruas de paralelepípedo, casarões e traços barrocos. Vale visitar o Museu da Inconfidência, as antigas minas da região e as diversas igrejas, em especial a Igreja de São Francisco de Assis, obra-prima de Aleijadinho. Na cidade de Congonhas, seguindo pela Estrada Real, está outra obra icônica do artista: os doze profetas esculpidos em frente ao Santuário do Bom Jesus de Matosinhos.

Na sequência, aproveite para ir até Bichinho, Tiradentes e, em um passeio de maria-fumaça, São João del Rei. As três cidades têm um clima típico de interior, artesanatos e arquitetura clássica do período colonial. Passando às terras paulistas, Cunha é destino para visitar lojas de cerâmica, fazer passeios do ecoturismo e conhecer duas incríveis plantações de lavanda. O caminho termina em Paraty, onde o cenário ganha o azul do mar! Além de praias e dos passeios de lancha, cachoeiras, o centro histórico e as visitas aos alambiques são programas essenciais no roteiro.

Interessou? Em Ouro Preto, hospede-se na Pousada Minas Gerais, no coração do centro histórico do destino. Em Tiradentes, o Garden Hill Hotel & Golfe oferece uma experiência de luxo, com piscinas, campo de golfe e mais. Para finalizar a viagem, o Refúgio Tropical Pousada, hospedagem rústica e completa a 4 km do centro, é ótima escolha em Paraty.

Leia mais sobre os destinos do Sudeste neste especial produzido pelo Mag

Caminho Novo: do interior mineiro ao litoral carioca

O Caminho Novo foi aberto anos depois, como opção ao Caminho Velho, mais extenso e difícil de percorrer. São 515 km com menos trechos de terra (63% do trajeto) para ir também de Ouro Preto ao Rio de Janeiro, passando por Conselheiro Lafaiete, Juiz de Fora, Petrópolis e Porto Estrela. Parar o percurso pela Estrada Real para descobrir as maravilhas do Parque Estadual de Ibitipoca e do Parque Nacional da Serra dos Órgãos é sempre uma boa ideia!

Assim como o Caminho Velho, o roteiro novo começa por Ouro Preto. Após uma sequência de cidades simples e simpáticas, como Ouro Branco, Queluzito e Carandaí, pare para conhecer Barbacena, conhecida como “Cidade da Rosas” graças à produção local de flores, e Juiz de Fora. Na primeira, reserve um tempo para conhecer o Museu da Loucura, a Estação Ferroviária e a Igreja Matriz; na segunda, o Morro do Imperador e o Centro Cultural Bernardo Mascarenhas.

Já no Rio de Janeiro, o destaque fica por conta de Itaipava e Petrópolis, ambos na região serrana do estado. São destinos elegantes e românticos, procurados especialmente durante o inverno. Em Petrópolis, há muitos pontos turísticos para conhecer: o Museu Imperial, o Palácio Quitandinha, o Palácio de Cristal e a Catedral São Pedro de Alcântara, por exemplo. A viagem termina na capital, Rio de Janeiro.

Interessou? Para hospedar-se em Petrópolis, escolha entre o Hotel Caminho Real e o Bomtempo Resort, ambos com incrível área de lazer e muito verde.

Leia no Mag o roteiro de um dia por Petrópolis

Caminho dos Diamantes: o que Minas tem de mais bonito

A partir de 1729, as pedras preciosas de Minas Gerais ganharam a atenção dos portugueses. A Estrada Real precisou então ser alongada 395 km ao norte, ligando Diamantina e Ouro Preto. O trecho foi chamado de Caminho dos Diamantes, e passa por cidades como Serro, Santa Bárbara, Ipoema e Mariana. A rota também passa pelo belíssimo Parque Nacional da Serra do Cipó, chamado de “Jardim do Brasil” pelo célebre paisagista Roberto Burle Marx.

Desta vez o roteiro tem início na charmosa Diamantina, onde pontos turísticos como a Rua da Quitanda, repleta de fachadas do período colonial, o Passadiço, o Mercado dos Tropeiros e as igrejas fazem sucesso entre os turistas. A próxima  parada neste trecho da Estrada Real é Serro, que propõe uma verdadeira viagem pela produção artesanal do Queijo do Serro, premiado mundo afora.

A Serra do Cipó, cortada pelo Caminho dos Diamantes, é destino essencial para os ecoturistas. Trilhas conduzem à cenários naturais sem igual, com fauna e flora únicas, além de cânions e cachoeiras, entre elas a Cachoeira do Tabuleiro que, com 273 m, é a maior do estado e terceira maior do Brasil. Quase chegando ao fim do trajeto, Mariana encanta pelas igrejas tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e pela deliciosa gastronomia típica.

Interessou? Para conhecer a Serra do Cipó, hospede-se o charmoso Flor de Pequi Economic Inn, com piscina, salão de jogos e café da manhã incluso na tarifa. O hotel fica a 3 km da entrada para o parque nacional.

Leia mais sobre a Serra do Cipó e outros destinos para ecoturistas

Caminho do Sabarabuçu: charme próximo a Belo Horizonte

O último roteiro, o chamado Caminho do Sabarabuçu, nasceu quando viajantes acharam que o brilho vindo da Serra da Piedade poderia ser ouro. O que encontraram foi, na verdade, minério de ferro. De qualquer modo, a busca rendeu um novo trajeto para os turistas. De Cocais a Glaura, seus 160 km passam por Caeté, Sabará – a 13 km de Belo Horizonte -, e Honório Bicalho.

Em Cocais, o ponto de partida, a maior atração na região é o Sítio Arqueológico Pedra Pintada, na Serra do Espinhaço. O sítio possui três painéis rochosos com 122 pinturas que datam de aproximadamente 7 mil anos atrás. O roteiro continua por Caeté, destino com jeitinho de cidade pequena e charmosa, e Sabará, que abriga a Igreja de Nossa Senhora do Ó e o Chafariz de Kaquende – a lenda diz que aqueles que bebem da água um dia certamente voltarão à cidade -, e que hospedou até mesmo D. Pedro I e II. Glaura finaliza os dias na Estrada Real.

Interessou? Um resort com pensão completa com pratos da gastronomia mineira e 45 mil m² de lazer em meio à natureza é a pedida. Hospede-se no Tauá Resort Caeté.

Leia no Mag mais detalhes sobre o Tauá Caeté


Consulte o mapa do Instituto Estrada Real e escolha seu roteiro. Viagem programada? Acesse a seleção do Zarpo de hotéis no Sudeste e reserve as hospedagens. Quando voltar, deixe um comentário abaixo e nos conte como foi a viagem!

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Fascinada por metrópoles (São Paulo <3) e por histórias, gosta de achar turismo em lugares pouco óbvios, mas também não dispensa passeios em cartões-postais, comprinhas e jantares românticos.

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